financeiro 17 jul 2019

Investimento Institucional na América Latina: a importância da governança e da reputação

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Diante de um contexto global de protecionismo, os Fundos Soberanos (Sovereign Wealth Funds – SWFs, em inglês) e outros investidores institucionais continuam a desempenhar um papel crucial nos investimentos transfronteiriços. Com mais de $ 12 trilhões de ativos sendo negociados, estes continuam sendo um dos maiores proprietários de ativos e um dos mais frequentes compradores de renda fixa, ações públicas e ativos alternativos em todo o mundo.

IED na América Latina

O Investimento Estrangeiro Direto (IED) foi adotado globalmente em 2018. Na América Latina, os fluxos decresceram 6 %, atingindo $ 147 bilhões, com a estagnação econômica. O impacto desta queda foi maior no Brasil e na Colômbia, enquanto os fluxos permaneceram estáveis ​​no resto da região. Os segmentos de interesse continuam sendo aqueles ligados aos recursos naturais (incluindo a mineração), infraestrutura e bens de consumo, especialmente de TI.

No entanto, a região ainda é vulnerável a fatores externos, incluindo a política monetária nos EUA e suas tensões com a China e outros parceiros. As tarifas impostas às novas indústrias, como a do segmento automotivo, podem significar preços mais altos de commodities como o cobre, que é uma das principais exportações da região.

Investimentos dos Fundos Soberanos (SWF)

No início de 2005, três SWFs sinalizaram primeiro o interesse na região: a ADIA, de Abu Dhabi, e a KIA, do Kuwait, em parceria com o Conduit Capital Fund, que atuam com foco na geração de energia em todo o continente, e a GIC, de Cingapura, investiram US$ 200 milhões em uma joint venture com a AMP para adquirir instalações de distribuição no México. Desde então, os Fundos Soberanos de todo o mundo investiram US$ 36 bilhões na região, incluindo em áreas como infraestrutura e ativos de energia, setor imobiliário e fundo de investimentos.

Nos últimos 15 anos, os fundos aprenderam a apreciar as diferenças entre os 20 países que compõem a América Latina. Eles evoluíram de fundos avessos ao risco, investindo apenas em países da OCDE (México, Chile), para players regionais sofisticados, com equipes e escritórios locais. Agora existem seis filiais do SWF, com mais de 100 profissionais de investimento atendendo o continente.

À medida que os fundos amadurecem e a busca por rendimento se torna mais acirrada, outros países também começam a ganhar atenção. Peru, Colômbia, Equador, Argentina, Uruguai e Panamá também estão atraindo capital institucional. No entanto, os fundos precisam permanecer cautelosos, uma vez que os desafios regionais permanecem. Quando a Catar Diar investiu $ 75 milhões no Gran Paraiso Hotel em Cuba, em 2008, o desenvolvimento deveria durar três anos. Onze anos depois, no entanto, a conclusão da propriedade segue incerta.

O caminho a trilhar: Coinvestimentos e Governança

Uma maneira de aumentar a confiança dos investidores na região é facilitar acordos com Fundos Soberanos domésticos. Atualmente, existem sete fundos gerenciando mais de US$ 35 bilhões, que podem gerar oportunidades e oferecer coinvestimentos na Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, México, Panamá e Peru. Este é um caminho cada vez mais favorável, pois minimiza as taxas pagas aos gestores de ativos e fundos de private equity.

No entanto, também aumenta a exposição à Governança, aos Riscos e à Conformidade, além do escrutínio das partes interessadas e da opinião pública. Neste contexto, a confiança é crucial e uma diligência prévia adequada tornou-se um passo fundamental no processo de investimento. Seja para comprometer capital de um fundo ou para comprar uma participação direta em um ativo, os SWFs precisam realizar uma avaliação de reputação de possíveis riscos associados a um parceiro de negócios, incluindo os de conformidade e de governança corporativa.

Diego López
Conselho Consultivo da LLYC nos EUA
Diego López é membro do Conselho Consultivo da LLYC desde 2019. É Diretor Executivo da Global SWF, uma butique especializada em finanças e em fundos soberanos que atua com Banco Mundial e a ONU, entre outros.  Diego é um executivo global com mais de 13 anos de experiência em empresas líderes, como o Grupo Santander, KPMG e PwC. É graduado em Economia e Mestre em Finanças pela London School of Economics (LSE).  Desenvolveu sua carreira na Europa, Oriente Médio, China, Brasil e EUA.
Alejandro Romero
Sócio e CEO Américas da LLYC
Desde 1997, coordena o processo de expansão da companhia na América Latina, dirigindo nossos 8 escritórios na região. Além disso, Alejandro foi responsável pelos processos de comunicação de três das dez operações mais importantes de M&A na Região: a venda das operações da BellSouth ao grupo Telefónica, a aquisição pelo SABMiller do Grupo Empresarial Bavaria e a venda do grupo financeiro Uno ao Citibank. Como responsável pela operação no México, posicionou a empresa, em somente cinco anos, entre as três mais importantes do país, segundo o ranking anual da revista Merca 2.0.
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