Artigo 11 abr 2019

Os 100 primeiros dias do governo Bolsonaro

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O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, cumpriu seus primeiros 100 dias de governo com sinais de dificuldade na articulação política, perda de popularidade, disputas internas, polêmicas e a recorrência, cada vez maior, das redes sociais para se comunicar.

Muitos críticos veem como principal problema para este início de governo justamente as demonstrações de falta de habilidade política do presidente, a ponto de colocarem em dúvida o êxito de sua principal missão imediata: conseguir o apoio do Congresso para mudar a Constituição e promover a Reforma da Previdência.

A reforma, liderada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, foi considerada prioridade em sua elaboração, o que garantiu ao governo apoio de investidores e empresários. Mas a euforia não durou muito. O primeiro grande conflito surgiu como resultado de uma disputa entre o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e Jair Bolsonaro. Maia acusou o presidente de falta de compromisso de negociar e defender os pontos da reforma com os congressistas.

Uma das principais incógnitas sobre Bolsonaro é como irá se ajustar às estruturas do modelo político brasileiro para governar, já que foi eleito com uma promessa de campanha de que não iria seguir o receituário existente e de que não iria promover indicações políticas a cargos. Soma-se a isso um outro fator: seu estilo pessoal, pois muitos críticos não veem nele os traços de um governante conciliador e negociador.

Por isso, governo não sabe quantos votos poderá obter no Congresso Nacional para aprovar suas reformas. Nem mesmo o seu partido, o PSL, está totalmente alinhado.

Polêmicas e denúncias

Além disso, logo nos primeiros dias de seu governo, Bolsonaro começou a colecionar dores de cabeça geradas pelo seu entorno, especialmente com alguns ministros (envolvidos em polêmicas e até suspeitas) e com a forte interferência de seus três filhos nos assuntos do Planalto e na estratégia das redes sociais.

Exemplos dessas controvérsias ficaram a cargo dos integrantes do governo considerados mais “ideológicos”: Ernesto Araújo (Relações Exteriores), Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos) e o ex-ministro Veléz Rodríguez (Educação), que foi demitido no início de abril, após uma crise interna no ministério.

Ainda no campo da polêmica, os filhos de Bolsonaro também produziram declarações e posts, que geraram reações no Brasil e no exterior. Uma das críticas é de que os Bolsonaro ainda não abandonaram o tom e o discurso de campanha eleitoral, dialogando apenas com a porção do eleitorado que os apoia.

Economia: principal agenda positiva

Por outro lado, a economia não foi totalmente impactada pela turbulência política, embora os investimentos no setor produtivo ainda estejam pendentes de progresso na Reforma da Previdência. Entre os resultados positivos na área econômica, vale destacar a primeira rodada de concessões públicas, com a transferência ao setor privado de 12 aeroportos. Também foi concedido ao setor privado um importante trecho da Ferrovia Norte-Sul, considerada um dos principais projetos para escoamento da produção agrícola do país e que deve gerar investimentos de R$ 2,7 bilhões.

Do ponto de vista da política externa, o fato mais importante nos 100 primeiros dias de governo foi a visita de Bolsonaro aos Estados Unidos, onde teve reuniões com Donald Trump. A viagem, no entanto, rendeu poucos frutos. De concreto, foi anunciada a liberação de vistos para quatro países (EUA, Japão, Austrália e Japão), sem reciprocidade; fechou-se um acordo para os norte-americanos utilizarem a base militar de Alcântara, no Estado do Maranhão; e Trump prometeu apoio para ao Brasil entrar na OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

Fadiga

Três meses depois da posse, o governo dá sinais de fadiga. Pesquisas de opinião têm apontado queda na popularidade e na avaliação do presidente, mostrando que Bolsonaro terá trabalho para manter, por um pouco mais de tempo, algum clima que lembre uma “lua-de-mel” de início de governo com os brasileiros.

Cleber Martins
Diretor Geral no Brasil da LLYC
É jornalista e advogado, com vasta experiência no setor de comunicação no Brasil. Durante 15 anos, ocupou diferentes cargos na Folha de S. Paulo, incluindo editor de negócios e editor-adjunto de economia. Com trajetória executiva na área de comunicação corporativa, tem atuado em projetos, nacionais e internacionais, para as principais empresas do setor privado do país, na construção de reputação, prevenção e gestão de crises, inovação, treinamentos e consultoria de reputação. Formado pela USP (jornalismo e direito), também possui MBA em Informações Econômico-Financeiras e extensão em ciências políticas e relações governamentais.
Vivaldo de Sousa
Jornalista, cientista político e professor universitário
É jornalista, cientista político e professor universitário. Atua há mais de 30 anos no setor de comunicação. Durante 20 anos, ocupou cargos no jornal Folha de S. Paulo, incluindo a coordenação de economia na sucursal de Brasília. Teve passagens ainda pelas revistas Veja e IstoÉ, cobrindo política e economia. Atua desde 2012 na comunicação corporativa em projetos para os setores público e privado no planejamento estratégico de comunicação, treinamento e gestão de crises. Formado em jornalismo pela PUC-SP, tem mestrado em ciências políticas pela UnB, com dissertação sobre coligações eleitorais.
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